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UMA PEQUENA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE A PRESENÇA DE JOGOS

Publicado em: 02/02/2012 - 16:32:47

 

UMA PEQUENA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
SOBRE A PRESENÇA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NO ENSINO FUNDAMENTAL

 

  

 

PAULA, Jaqueline Assis de[2]


RESUMO

 

O presente texto representa o resultado de leituras realizadas à respeito da utilização de jogos e brincadeiras como estratégia de trabalho no Ensino Fundamental, onde foi possível perceber que a presença desses elementos no cotidiano da sala de aula pode tornar extremamente prazeroso e rentável para professores e alunos o desenvolvimento do processo educacional, uma vez que os mesmos podem despertar ainda mais o interesse dos alunos, pois trata-se de sair do lugar comum. Estão presentes também opiniões que ressaltam a necessidade de que o profissional da educação realize um planejamento cuidadoso quanto ao que diz respeito à aplicação de tais métodos como ferramenta de ensino-aprendizagem, pois não se deve utilizar o jogo pelo jogo; a brincadeira pela brincadeira. É necessária toda uma contextualização da atividade bem com o objetivo pelo qual a mesma está sendo utilizada. Para a sistematização das discussões aqui presentes, foi necessária a realização de uma pesquisa bibliográfica sobre o tema, através de livros, revistas e sites pedagógicos.



PALAVRAS-CHAVE: 1. Ludicidade; 2. Educação; 3. Processo Educacional.

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

Quando se fala em educação, ainda hoje, a imagem que vem à mente é a de alunos organizados em sala de aula, de preferência em filas rigidamente organizadas, como acontecia em séculos anteriores. Muitas são as discussões que colocam esse modelo na ordem do dia, não como algo a ser mantido, mas como uma atitude passível de mudanças.

A educação pode e deve se renovar. A inclusão do lúdico como atividade pedagógica ocupa o centro das discussões. Faz-se necessário que mudanças sejam incorporadas de forma a privilegiar o desenvolvimento do aluno como um todo. A sociedade cobra aos profissionais da educação que estejam antenados com essas transformações, sem, no entanto deixar de lado o objetivo maior da educação, que é o ato de buscar promover a aprendizagem.

O presente texto busca promover uma pequena revisão bibliográfica sobre a utilização de jogos e brincadeiras no processo educacional, de forma a privilegiar o desenvolvimento do educando de forma contextualizada, planejada e não aleatória. São aqui apresentadas discussões que tratam da inserção de tais elementos no processo educacional de forma a privilegiar o desenvolvimento da criança. Tais discussões foram possíveis após a realização de pesquisa bibliográfica sobre o tema, realizada em livros, revistas e sites pedagógicos.

 2. UMA PEQUENA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE A PRESENÇA DOS JOGOS E BRINCADEIRAS NO ENSINO FUNDAMENTAL


A educação é um campo onde há espaço para várias tendências e onde acontecem atualmente grandes discussões, defendendo a volta e permanência do elemento lúdico, buscando torná-la atrativa num mundo em constantes transformações e, onde a educação não pode ficar estagnada. É possível então considerar a indagação presente em Borba (2007, p. 33), de que deve-se “(...) pensar o brincar de forma mais positiva, não como oposição ao trabalho, mas como uma atividade que se articula aos processos de aprender, se desenvolver e conhecer? (...)”

A sociedade cobra aos profissionais da educação que estejam antenados com essas transformações, sem, no entanto deixar de lado o objetivo maior da educação, que é o ato de buscar promover a aprendizagem.

O elemento lúdico tem sido muito enfatizado como recurso para enfrentamento da aversão/receio que grande parte dos estudantes desenvolve, em função de um ensino sem significado.

É necessário que a abordagem lúdica envolva o uso de jogos, brincadeiras e, sobretudo, de desafios que estimulem o aluno a procurar conhecer o que está proposto ali.

Conforme aparece em Neves e Santiago, onde estudam o uso dos jogos teatrais na educação a partir da opinião de variados autores, entre eles Celso Antunes, segundo quem,

(...) o jogo, em seu sentido integral, é o mais eficiente meio estimulador das inteligências e importante ferramenta de compreensão de relações entre significantes (palavras, fotos, desenhos, cores etc.) e significados (objetos). Portanto, organizou jogos estimuladores de todas as inteligências por meio de quatro códigos (...) é o melhor caminho de iniciação ao prazer estético, à descoberta da individualidade e à meditação pessoal. Entretanto, deve ser usado pedagogicamente com rigoroso e cuidadoso planejamento, marcado por etapas muito nítidas e que efetivamente acompanhem o progresso dos alunos. (2009, p. 51)

Ou seja, não se deve pensar e utilizar o jogo pelo jogo apenas. Quando um profissional da educação busca a introdução do elemento lúdico em sua aula, o mesmo deve planejar cada passo que envolva a aplicação desse elemento, de maneira a não perder o foco em sua utilização, deixando claro para os alunos que cada jogo ou brincadeira utilizada está ali com uma finalidade, para além da brincadeira.

Não é mais possível um trabalho educativo efetuado de forma dividida, como ocorria no século passado, onde a educação era organizada por disciplinas. A tendência hoje é a organização por áreas de conhecimento, onde as disciplinas afins estão mais próximas umas das outras.

O trabalho educativo deve visar ao desenvolvimento global do aluno, auxiliá-lo e posicionar-se criticamente no mundo, porém de uma forma prazerosa, possibilitando ao aluno aprender sem se sentir massacrado por uma forma educacional rígida.

Nos jogos e brincadeiras, o aluno utiliza suas diversas potencialidades, desenvolvendo-se como um todo e, aprendendo a praticar regras e noções de convivência e respeito.

Assim, jogos e as brincadeiras não podem e não devem ser consideradas pelos profissionais da educação como uma perda de tempo, ou como enrolação, como pensam muitos professores. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação, essa é uma forma válida de ensinar, se for considerado o fato de que “Uma prática pode ser vivida ou classificada em função do contexto em que ocorre e das intenções de seus praticantes”. (PCNs, 1997: p. 49)

Ao contrário dessa postura, os jogos e brincadeiras possibilitam um enriquecimento do processo educacional, conferindo-lhe mais qualidade aliada à quantidade. A interação entre os alunos é uma estratégia que, alem de desenvolver o senso de cooperação e de coletividade, é muito importante na construção do conhecimento.

A utilização de atividades lúdicas deve ser inserida no contexto educacional pensando não apenas a prática didático-pedagógica, mas também considerando o fato de que como aparece em Bergo (2005/1, p. 79) “os jogos e as brincadeiras são muito importantes no desenvolvimento das atividades”, posto que o lúdico favorece a aprendizagem e desperta nos educandos a vontade de fazer, como aparece em Bergo (2005/2: p. 19),

O trabalho educativo deve visar ao desenvolvimento global do aluno, auxiliá-lo a posicionar-se criticamente no mundo, porém de forma prazerosa. (...) Nos jogos e brincadeiras o aluno utiliza suas diversas potencialidades: a lógico-matemática, a lingüística, a musical, a cinestésica, a ecológica, a espiritual, a intra e a interpessoal, a espacial. Desenvolve valores, a responsabilidade, a resistência a frustrações, a criatividade, a cooperação, a alegria, o prazer da descoberta etc. portanto, os jogos e as brincadeiras não são uma perda de tempo, como pensam muitos professores, ao contrário(...) 

Diante de tal colocação é possível perceber que através da prática do jogo, é possível desenvolver na criança noções como espaço, quantidade, companheirismo, competição (que também deve fazer parte do seu cotidiano). Os jogos e brincadeiras não são apenas recreação na medida em que permitem à criança, interagir com outras pessoas e estabelecer a partir daí uma série de relações que podem vir a se mostrar interessantes para o desenvolvimento de nossos alunos.

            As atividades lúdicas podem ser desenvolvidas dentro de quaisquer áreas do conhecimento que sejam pertinentes ao Ensino Fundamental, guardadas as devidas proporções e adequando-se jogos e brincadeiras a cada etapa, bem como à idade da turma, considerando que se faz necessário um planejamento criterioso, para que as atividades propostas não se tornem mera recreação, sem uma finalidade em si, ou seja, considerar o fato de que o lúdico não é apenas “recheio” de aulas, mas antes, uma estratégia pedagógica e deve considerar que “(...) o eixo principal em torno do qual o brincar deve ser incorporado em nossas práticas é o seu significado como experiência de cultura.” (BORBA, 2007: p. 44)

Faz-se necessário sim a presença de jogos e brincadeiras, pois o lúdico possibilita mais e melhores oportunidades de aprendizado. Ou seja, a partir do momento que se consegue transformar em prazerosa uma atividade que se apresenta árida, ininteligível para a criança, é certo que sua aprendizagem vai se transformar em algo bem presente e, as diferentes áreas do conhecimento poderão ser vistas e apreendidas de uma forma totalmente nova pelos alunos, pois de acordo com Monteiro e Baptista,

A criança vivencia, experimenta e apreende o mundo por meio de diferentes formas de inserção com o outro e com os objetos. O uso de diferentes linguagens é o que lhe permitirá comunicar-se e compreender ideias, sentimentos e a organizar seu pensamento. (...) a brincadeira, (...) a linguagem corporal, dentre outras, são formas de linguagem que lhe permitirão o acesso aos símbolos e signos culturais e a possibilidade de construção de novos símbolos e signos que orientarão seu comportamento, sua maneira de ver, sentir e viver. (2009, p. 29)

Não se pode afirmar que os jogos e brincadeiras vão resolver os problemas da educação, mas cabe ao profissional da educação propor atividades que despertem a curiosidade e a criatividade das crianças, despertando-as para diferentes possibilidades de aprendizagem e que permita a elas o desenvolvimento de habilidades e competências, ou seja, despertá-las para um mundo novo, cheio de novos significados. Assim, “Nesta perspectiva, a brincadeira e o jogo de faz de conta são considerados como espaços de compreensão pelas crianças, na medida em que os significados que ali transitam são apropriados por elas de forma específica.” (Idem, p. 65)

Assim, é possível perceber que está “(...) em poder de todos os professores, sejam de Educação Física ou não, que acreditam no potencial dos jogos e do esporte como processo educacional (...)” (ROSSETO Júnior, 2008: p. 4), adotar novas práticas educacionais, que visem não apenas o desenvolvimento de um ou outro aspecto do aluno, mas buscando seu desenvolvimento pleno e satisfatório e a efetivação de sua aprendizagem.

É importante também, como afirmam Siqueira e Almeida (2011), “Os professores se conscientizarem da importância e dos benefícios adquiridos através da preservação da cultura popular por jogos e brincadeiras tradicionais.”

CONSIDERAÇÕES FINAIS



A simples citação das palavras jogos e brincadeiras, bem como relacioná-las ao processo educacional, desperta reações diferenciadas no interior das discussões das comunidades pedagógicas. Uns aprovam sua utilização como ferramenta de trabalho e outros se colocam contra a prática, pois a consideram apenas mais uma coisa que está na moda e que logo passa.

No entanto, é possível perceber que a presença desses elementos no decorrer das aulas, desde que bem planejados, é de uma grande ajuda aos profissionais da educação, no que diz respeito à educação de crianças, adolescentes, jovens e adultos, pois a utilização de elementos lúdicos traz um clima de expectativa para a sala de aula, favorecendo assim, a efetivação da aprendizagem.

Os variados pontos de vista à respeito da questão aqui presente, não podem ser considerados conclusivos, imutáveis. É fato que a tecnologia está cada vez mais ativa, mais presente no cotidiano de sala de aula, bem como no ambiente de casa, o que, no entanto, não deve contribuir para que a presença de outros elementos lúdicos seja considerada durante o processo educacional, apenas mais uma forma de aprendizagem que está na moda e logo passa.

 A educação não pode e não deve ser considerada como algo imutável, ou seja, do mesmo jeito que nossos pais, e antes deles. A educação pode e deve se transformar em algo prazeroso, que todos queiram fazer e fazer bem, tanto profissionais da educação quanto os alunos, pois os últimos são o centro do processo educacional.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BERGO, Heliane Maria. (elaboração). A Prática da Alfabetização Infantil. Caderno de Estudos e Pesquisas 1. Escola Aberta. Programa Revoada Todos Alfabetizados. CETEB – Centro de Ensino Tecnológico de Brasília. 2005.

 

----------------------------------. A Prática da Alfabetização Infantil. Caderno de Estudos e Pesquisas 2. Escola Aberta. Programa Revoada Todos Alfabetizados. CETEB – Centro de Ensino Tecnológico de Brasília. 2005.


BORBA, Ângela Meyer. O Brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: Ensino Fundamental de nove Anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Org. Jeanete Beauchamp, Sandra Denise Pagel, Aricélia Ribeiro do Nascimento. – Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. 135 p.: il. pp. 33 – 46


BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília; MEC/SEF, 1997. 96 p.


MONTEIRO, Sara Mourão e, BAPTISTA, Mônica Correia. Dimensões da proposta pedagógica para o ensino da Linguagem Escrita em classes de crianças de seis anos. In: A criança de 6 anos, a linguagem escrita e o ensino fundamental de nove anos: orientações para o trabalho com a linguagem escrita em turmas de crianças de seis anos de idade./ Francisca Izabel Pereira Maciel, Mônica Correia Baptista e Sara Mourão Monteiro. (Orgs.). – Belo Horizonte. UFMG/FaE/CEALE, 2009, 122p. pp 29-70


NEVES, Libéria Rodrigues e, SANTIAGO, Ana Lydia Bezerra. O uso dos jogos teatrais na educação: Possibilidades diante do fracasso escolar. – Campinas, SP: Papirus, 2009. – (Coleção Ágere)


ROSSETO Júnior, Adriano José. [et al.] Jogos educativos: estrutura e organização da prática. 5. ed. – São Paulo: Phorte, 2009.


SIQUEIRA, Daniele da Silva e, ALMEIDA, Miguel Ângelo Lima de. Jogos e brincadeiras no contexto escolar: uma reflexão sobre o uso pedagógico do jogo tradicional no 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental. VIII EnFEFE – Encontro Fluminense de Educação Física Escolar. Departamento de Educação Física – Universidade Federal Fluminense. Rio de Janeiro. Disponível em: HTTP://cev.org.br/biblioteca. Acesso em 01/02/2012


AGRADECIMENTOS 


À Deus, pela presença constante em minha vida, pois sem Ele não sou nada.

À minha família, que não me deixa desanimar quando tudo parece mais difícil e, por isso aqui estou.



[1] Artigo elaborado sobre o Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Lambari d’Oeste – MT.

[2] Professora graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia.

 


Autor: SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
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Palavras chaveseducação, cultura, esporte, lazer e turismo, artigos.
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